As mulheres têm vivido tempos sombrios, com inúmeros casos diários de violência, assédio e feminicídio. Essa palavra, relativamente nova, já faz parte da pauta diária dos brasileiros.
Quem é mãe, seja de menino ou de menina, invariavelmente, nestes últimos dias, se chocou com a notícia de um estupro coletivo praticado por cinco jovens contra uma adolescente no Rio do Janeiro.
A cada nova denúncia, vemos movimentações dos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, com objetivo de melhorar leis que previnam e punam com maior eficiência esses crimes.
Exemplo disso aconteceu em agosto do ano passado, após o influenciador Felipe Bressanim, conhecido como Felca, publicar um vídeo que denunciava a adultização e a exploração sexual de crianças e adolescentes para criação de conteúdo na internet.
Depois da repercussão do vídeo, o Senado aprovou a lei tais, com o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente. A intenção é proteger esse público no uso de aplicativos, jogos eletrônicos, redes sociais e programas de computador.
Mais recentemente, nesta semana, durante depoimento na CPI do crime organizado, a juíza da Vara da Infância e Juventude do TJRJ, Vanessa Cavalieri, falou de forma generalizada sobre os casos recentes de abusos, violências, assédios e estupros contra mulheres, em muitos casos, menores.
Ela ressaltou que grande parte desses crimes ocorre após a exposição dos jovens a conteúdos da internet que incitam tais atos. Jovens que, frequentemente, são invisíveis dentro das próprias casas e buscam identificação e pertencimento no submundo digital.
Numa conversa recente com a minha filha de 19 anos, eu e ela constatamos que a minha outra filha, de sete anos, fica muito mais tempo diante da TV, assistindo vídeos do Youtube, do que a primogênita ficava.
Claro que isso é feito sob supervisão, sempre acompanhada de um adulto. Porém, o fato é que, infelizmente, preciso admitir que muito do que ela absorve diariamente vem do mundo digital. Daí pra, daqui a um tempo, ela achar que todas as respostas de absolutamente todas as questões estão na internet, é um pulo. E isso é aterrorizante!
Assim, a minha reflexão hoje é: até que ponto as leis são suficientes pra proteger nossas filhas (e filhos) deste horror, se nós, pais, não nos apressarmos a “endurecer a legislação” dentro de nossas casas, em relação ao uso de internet e tempo de tela de nossos filhos? Limites e filtros são urgentes.
E nós, comunicadores, onde nos encaixamos neste cenário de caos? Vamos nos conformar em continuar contando, diariamente, os horrores a que as mulheres têm sido submetidas? Ou podemos nos mover para, através da informação, prevenir, denunciar e expor essas mazelas sociais antes que virem estatísticas escandalosas?
Qual a nossa responsabilidade no estupro coletivo? Essa é uma conversa difícil que precisa acontecer do lado de fora das telas de um celular.









