
Em 1993, Pindamonhangaba recebeu a visita de Bertrand de Orléans e Bragança, advogado e escritor brasileiro, descendente da antiga família imperial do Brasil. O “príncipe”, como foi apresentado pela Tribuna do Norte na época, veio à cidade para ministrar uma palestra sobre o regime monárquico de governo, na Câmara Municipal, a convite do então vereador André Raposo. A palestra ocorreu no contexto do plebiscito de 1993.
Na época, discutia-se qual seria a melhor forma de governo para o país: a República ou a Monarquia. A iniciativa da ressurreição do modelo monárquico partiu do então deputado federal Antônio Henrique Bittencourt Cunha Bueno, monarquista, que propôs a emenda constitucional que previa a realização de um plebiscito nacional. O objetivo era dar aos eleitores brasileiros a possibilidade de escolherem tanto a forma (República ou Monarquia) quanto o sistema de governo (Presidencialismo ou Parlamentarismo).
Em 1993, o recém-empossado presidente Itamar Franco promulgou a Lei nº 8.624, regulamentando a consulta popular. A vitória da República foi acachapante: 43.881.747 eleitores (66,26% do total) votaram a favor do regime republicano, contra apenas 6.790.751 votos em favor da monarquia (10,25%). Para se ter uma ideia, houve mais votos brancos e nulos — cerca de 15,5 milhões (23,49%) — do que votos em apoio ao antigo regime.
No Estado de São Paulo, o resultado foi ainda mais expressivo: 83,4% dos eleitores (cerca de 11 milhões) preferiram a República, enquanto apenas 16,6% (aproximadamente 2,2 milhões) votaram pela Monarquia.
Apesar da preferência popular pelo atual regime, a palestra — parte da campanha monarquista — lotou a sede do Legislativo municipal e contou com a presença de diversas autoridades locais. Durante o evento, Bertrand foi questionado sobre quem seria o “Rei do Brasil” e ele respondeu: “O Imperador será meu irmão Dom Luiz, o primeiro colocado na linha; o segundo sou eu”.
Com a morte de Luiz Gastão de Orléans e Bragança, em julho de 2022, Bertrand assumiu a chefia da Casa de Orléans e Bragança. Ou seja, se o país retornasse hoje à monarquia, Bertrand — atualmente com 84 anos — seria o Imperador do Brasil.