
radialista e consultor.
Voluntário como palhaço
hospitalar há 17 anos,
fundador da ONG Canto
Cidadão, consultor associado para o
voluntariado da GIA Consultores para
América Latina e sócio da empresa
de consultoria Comunidea.
O ESG (Ambiental, Social, Governança) tornou-se um dos principais referenciais para avaliar o impacto das empresas na sociedade e no meio ambiente, indo além do lucro financeiro. Dentro desse tripé, o pilar social – o “S” – ganha destaque ao tratar das relações com comunidades, funcionários e outros públicos. É aí que o voluntariado corporativo entra em cena como uma ferramenta poderosa, conectando as empresas aos objetivos de maneira prática e mensurável.
Programas que incentivam funcionários a dedicar tempo a causas comunitárias durante o expediente não só fortalecem a responsabilidade social, mas também trazem benefícios internos e externos que reverberam na reputação e no desempenho das organizações.
A conexão entre voluntariado e ESG é evidente na forma como ele potencializa o engajamento comunitário. Ao apoiar iniciativas como limpezas ambientais ou ações em prol de populações vulneráveis, as empresas demonstram compromisso com o bem-estar social, um indicador-chave do ESG. Pesquisas apontam que 89% dos funcionários sentem maior propósito ao participar de ações voluntárias, o que eleva a satisfação no trabalho e reduz a rotatividade – métricas valorizadas no pilar social. Além disso, oferecer programas de voluntariado pode atrair talentos em um mercado competitivo, já que muitos profissionais buscam empregadores alinhados a valores de impacto positivo.
Um dado curioso é que 77% dos consumidores preferem marcas com iniciativas de responsabilidade social, o que reforça a relevância do voluntariado para a imagem corporativa.
Os benefícios são amplos. Para as empresas, o voluntariado melhora a reputação e estimula a inovação, pois expõe os colaboradores a desafios externos que podem inspirar soluções criativas. Para os funcionários, proporciona desenvolvimento pessoal e um senso de pertencimento. Já para a sociedade, resolve problemas reais, como a conservação ambiental ou o apoio a comunidades carentes.
Exemplos como o VoluntEARS da Disney, que mobiliza empregados em projetos sociais, ou a Patagonia, que foca em voluntariado ambiental, mostram como essas ações podem ser integradas ao ESG.
Apesar dos ganhos, medir o impacto do voluntariado no ESG é um desafio. Horas dedicadas e projetos concluídos são indicadores tangíveis, mas o valor social – como o fortalecimento de laços comunitários – nem sempre é fácil de quantificar. Mesmo assim, o voluntariado segue em alta: nos EUA, 47% das empresas já implantaram programas nos últimos anos, e a tendência é de crescimento.
No Brasil, onde o ESG ganha força, as empresas podem usar o voluntariado como diferencial, alinhando propósito e estratégia. Assim, o ato de doar tempo e esforço não é apenas solidariedade, mas um investimento no futuro sustentável das organizações e da sociedade.