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O terceiro setor em números — quem são as OSC’s que transformam o Brasil

Há um novo mapa das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) no país, e os números contam uma história de crescimento, diversidade e impacto. O estudo compilado em 2025, com dados de 2010 a 2024, revela que o Brasil hoje abriga 917.727 OSCs — quase um milhão de iniciativas que pulsaram, se reinventaram e ampliaram suas redes de atuação nas últimas décadas.

Em 2010 havia 584.601 organizações; em 2024 o total alcançou 917.647 (variação verificada nos registros — total consolidado adotado: 917.727).

Esse salto indica que o terceiro setor segue em expansão, se multiplicando em pequenas ações locais e em redes maiores que ocupam espaços antes restritos ao Estado e ao mercado.

Onde estão as OSCs? O Sudeste concentra a maior parte das organizações (381.423), seguido pelo Nordeste (224.253), Sul (165.076), Centro-Oeste (78.723) e Norte (68.252).

Nas capitais, as cinco com mais OSCs são: São Paulo (57.612), Rio de Janeiro (29.803), Brasília (19.201), Belo Horizonte (11.936) e Salvador (9.020).

Esses polos revelam onde há maior densidade de recursos, visibilidade e articulação — e onde se concentram desafios de coordenação e financiamento.

Áreas de atuação: pluralidade e protagonismo O terceiro setor brasileiro é plural. As principais áreas de atuação são:

• Defesa de direitos: 313.106 OSCs
• Organizações religiosas: 282.467
• Esporte e recreação: 65.967
• Assistência social: 45.528
• Cultura e arte: 26.388
• Saúde: 26.112

A presença massiva de organizações voltadas à defesa de direitos e à atuação religiosa revela tanto a mobilização cidadã quanto o papel das instituições religiosas no acolhimento comunitário. Ao mesmo tempo, esporte, cultura e saúde mostram a diversidade de respostas às necessidades locais.

A maior parte das OSCs é registrada como associação privada: 724.234. Outras naturezas: organizações religiosas (179.254), fundações privadas (12.127) e organizações sociais (2.112). O predomínio do modelo associativo expressa a força das iniciativas de base e a capacidade de auto-organização da sociedade civil.

O setor é também um importante empregador: 2.690.837 colaboradores formais trabalham em OSCs. As mulheres representam 68,7% desse total (1.847.566), enquanto os homens somam 31,3% (843.271).

Esse dado reforça a centralidade feminina nas atividades do terceiro setor, especialmente em funções de cuidado, gestão e operação.

O salário médio mensal dos trabalhadores formais nas OSCs é de R$ 7.307,00 — um indicativo de que, em organizações formalizadas, há remuneração compatível com perfis profissionais.

O panorama por porte mostra concentração em organizações muito pequenas e em iniciativas sem vínculos formais de trabalho:

• 500 ou mais colaboradores: 1.098 OSCs
• 100 a 499: 3.918
• 50 a 99: 4.394
• 10 a 49: 21.202
• 5 a 9: 13.052
• 3 a 4: 12.889
• 1 a 2: 35.658
• Sem colaboradores formais: 705.052

Isso indica que a maior parte das OSCs opera com estruturas enxutas ou em regime voluntário — cenário que exige atenção às políticas de fomento, capacitação e acesso a recursos.

Voluntários

Roberto Ravagnani
Roberto Ravagnani
Roberto Ravagnani é palestrante, jornalista, radialista e consultor. Voluntário como palhaço hospitalar há 17 anos, fundador da ONG Canto Cidadão, consultor associado para o voluntariado da GIA Consultores para América Latina e sócio da empresa de consultoria Comunidea.
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