Na beira do quintal, entre a sombra das árvores onde o sol dourava a manhã, um melão aberto descansava sobre um comedouro para pássaros.
Sua cor e seu perfume doce se espalhava pelo ar, convidando os visitantes alados a rodeá-lo curiosos.
Foi então que um Sanhaço Azul pousou no comedouro com um olhar desconfiado.
Observou em silêncio, batendo as asas rápidas, até se aproximar do fruto. Tocou primeiro com o bico, quase como quem pede licença e logo mergulhou na polpa suculenta.
A cena era singela e mágica. O melão, com sua doçura terrosa e cor chamativa, alimentava não só a manhã, mas também aquele pequeno ser que parecia agradecer em silêncio.
O sanhaço bicava, recuava, erguia a cabeça como se saboreasse cada pedaço, e voltava para mais.
Eu olhava de longe e ficava admirando a delicadeza de como o Sanhaço Azul pegava cada pedacinho do melão.
Ali, naquele encontro improvável, havia uma lição discreta: a vida é feita de partilhas inesperada de pequenos momentos.
Um melão cortado pode ser festa para um pássaro azul.
E assistir a essa festa é lembrar que a beleza está sempre nas coisas miúdas — um canto breve, uma asa que bate, um bico manchado de amarelo.








