Há exatos 100 anos, em 1926, as mulheres não tinham direitos políticos no Brasil. Sua educação formal era restrita, muitas vezes limitada às elites e centrada na religião e nos “bons costumes”. O Código Civil de 1916 estabelecia o marido como chefe da sociedade conjugal, detentor do pátrio poder, responsável pela administração dos bens e pela autorização — ou não — para que a mulher trabalhasse.
Vista quase como propriedade, a mulher assumia o sobrenome do marido e devia-lhe obediência. A violência doméstica era tratada como “assunto de família”, o adultério masculino era tolerado, enquanto o feminino era severamente punido.
O direito ao voto veio em 1932, ainda com restrições. Décadas depois, o Estatuto da Mulher Casada trouxe avanços importantes, retirando da mulher a condição de incapaz. A Lei do Divórcio, em 1977, e a Constituição de 1988 consolidaram a igualdade formal entre homens e mulheres perante a lei.
Em 2006, a Lei Maria da Penha representou um divisor de águas no combate à violência doméstica. Já no século XXI, movimentos como o #MeToo ampliaram o debate sobre assédio, desigualdade de poder e violência estrutural.
Apesar dos avanços, a mulher de 2026 ainda enfrenta desigualdades no mercado de trabalho, na divisão das tarefas domésticas e na conciliação entre carreira e maternidade. A pandemia evidenciou a sobrecarga feminina e o esgotamento decorrente da dupla jornada.
No entanto, há algo novo em curso: linguagem, dados e consciência coletiva para nomear desigualdades antes naturalizadas. As mulheres já não pedem apenas espaço — questionam regras, critérios de sucesso e a distribuição do cuidado e do poder.
Talvez o futuro não esteja em “dar conta de tudo”, mas em redefinir o que é progresso e construir modelos de vida que não exijam o esgotamento feminino como preço de pertencimento.








