Fim de semana. Estavam indo ao clube de campo.
A avó espiava o céu pela janela do carro, tirava os óculos, bafejava as lentes, as limpava no lencinho de algodão, e dizia repetidamente:
— Eu vou pular de asa delta!
Os netos riam baixinho, imaginando a cena da avó usando asas artificiais, passarinhando pelo céu.
— Depois de cinquenta anos submissa, agora que fiquei viúva ninguém vai me impedir de realizar todos os meus desejos. Hoje eu vou pular de asa delta!
O genro, que conduzia o veículo, sussurrou à esposa:
— Acho que a sua mãe não está bem.
— Ela está brincando. Daqui a pouco ela muda de assunto.
No clube de campo, eles se acomodaram nas espreguiçadeiras da piscina.
Enquanto o casal e os filhos usavam traje de banho, a avó preferiu um vestido florido abaixo dos joelhos.
— Vou mergulhar com o pai de vocês – disse a mãe.
— Eu também vou – declarou o garoto.
Como a garota preferiu se bronzear, ficou incumbida de cuidar da avó. Mas, em vez disso, acabou cochilando.
Minutos depois, os pais e o irmão voltaram. A garota roncava.
— Cadê a sua avó? – perguntou a mãe dando leves tapinhas nos ombros da filha.
A garota acordou sobressaltada, olhou para os lados e respondeu:
— Ela estava aqui agorinha mesmo.
O garoto, apontando para o trampolim mais alto da piscina, gritou:
— Olha ela lá!
Sob os olhares dos banhistas, a avó tirou o vestido e ficou na ponta do trampolim.
— Ela tá usando o meu biquíni preferido – observou a neta – Por isso eu não o encontrei.
Como foi que ela conseguiu vesti-lo? Eu sou magrinha!
A plateia eufórica gritava:
— Pula, vovó! Pula!
E ela pulou:
TCHIBUM!
Finalmente, conseguiu realizar o sonho de pular de biquíni, asa dela.









