Meio-dia, hora do almoço, entro no restaurante que costumo frequentar há anos e peço o de sempre das terças-feiras “Filé a parmegiana”. Sim aquele famoso “Parmegiana”
O garçom não anotou o pedido — ele apenas assentiu com a cabeça, como quem reconhece um ritual antigo.
Existem pratos que alimentam e existem pratos que abraçam. O filé à parmegiana pertence a essa segunda categoria. Abraça com carinho.
Logo ele chega à mesa sem afobação, impondo respeito: um bife generoso, coberto por uma camada de molho de tomate que parece ter sido feito com o tempo e coroado por queijo derretido.
Acompanhado invariavelmente de arroz branco e batata frita, batata frita não pode faltar.
Fico olhando fixo para travessa a minha frente.
Me lembro da primeira vez em que fui apresentada ao famoso “Parmegiana. No restaurante, o barulho da cozinha, pratos e copos batendo, alguém gritando lá de dentro “sai um parmegiana!”. E saía mesmo — como se fosse um espetáculo da Broadway, como se todos ali soubessem que aquele era o protagonista.
Existe algo de exagerado no filé à parmegiana, e talvez seja justamente isso que o torna tão honesto. Ele não finge ser leve, não tenta impressionar com delicadezas. Ele é o que é: farto, quente, direto. Um prato que não pede interpretação, apenas entrega.
Corto o primeiro pedaço. A faca atravessa o queijo, o molho, o empanado, até encontrar a carne. Há um pequeno silêncio — quase solene — antes da primeira garfada.
E então tudo faz sentido: o crocante que resiste, o molho que invade, o queijo que amarra tudo como um final feliz previsível, mas necessário. Eis o sabor do “Parmegiana”.
No fim, sobra pouco. Sempre sobra pouco. Peço para viagem. E talvez seja esse o maior elogio que se pode fazer: o de que não restou quase nada, exceto aquela sensação silenciosa de que, por alguns minutos, o mundo esteve exatamente no lugar certo.








