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O paradoxo da felicidade nas redes sociais: Consumo, logo existo

Rodrigo Tarcha Amaral de Souza, Filósofo e Pedagogo, Mestre e Doutor
em Educação, Diretor da Escola Municipal Serafim Ferreira – “Sr. Sara” e
Avaliador do MEC/Inep para cursos de graduação

A era da informação está em transformação exponencial. Passados pouco mais de meio século do início da internet, já estamos em pleno convívio profissional com mecanismos de inteligência artificial, que, não raramente, nos relega a posição de expectadores da sua programação logarítmica. Sigo, curto e compartilho, tornou-se o mote da cidadania digital, expressão utilizada para apontar a adequação do cidadão aos parâmetros da era da informação; não obstante, sob a ótica do duelo homem X máquina, evidencia-se a auto subordinação do ser humano à máquina, seja pelo grau de eficiência da tecnologia, seja pelo bem-estar e prazer que esta proporciona ao ser humano.

Desde a década de 1990, a navegação pela internet se popularizou pelo mundo, deixando de ser exclusiva dos núcleos militar e científico, adotando finalidade comercial. Mudou os hábitos e processos de sociedades democráticas, tratando-se de uma guinada epocal. A sociedade evoluiu e não há ponto final; o ser humano se desenvolveu, mudando o modo de se conceber, mas o consenso sobre a ética ainda permanece aberto, para não dizer suspenso.

Estamos imersos no acelerado mundo digital, compreendido como educativo e libertador para alguns, e alucinante e prisional para outros; sobre o segundo entendimento, a atração do mundo digital é quase magnética, desencadeadora de uma visão de mundo ficcional. Se por um lado os meios digitais proporcionam praticidade na vida cotidiana, por outro, quando utilizados de maneira excessiva, resultam em risco de declínio da saúde física e mental, tanto pela deterioração do organismo pela ausência de exercício e movimento, quanto pela distorção da realidade, levando a crer que o virtual é o novo real.

No contexto de distorção da realidade, acreditando ser o virtual o novo real como lugar da realização humana, o cérebro entende que tal vivência e estilo de vida é responsável pelo estímulo hormonal do corpo; com elevada porção de euforia e êxtase, proveniente da dinâmica e interatividade dos meios digitais, inicia-se um processo bioquímico no cérebro, sendo despejado no corpo hormônios do bem-estar e prazer. Intensificado esse processo, tal qual um ato de utilização de droga psicoativa, reforçar-se-á o circuito de recompensa no âmbito da cidadania digital, de igual maneira preocupante, por ser uma pseudodroga lícita, tão viciante como uma droga psicoativa, cujo consumo é estimulado pela indústria cultural.

Preso na realidade ficcional das redes sociais, cujo carcereiro é a compulsão pelo prazer do mundo digital, o sujeito desaprende a se relacionar com pessoas físicas, mantendo um prolongado emocional infantil, justificando o aumento da intolerância na sociedade.

Entende-se, portanto, que quando a cidadania digital está restrita ao espaço das redes sociais, proporciona uma pseudo felicidade, identificada pela frustração da inadequação do sujeito em qualquer meio social. A busca da perfeição no mundo ficcional não é nova, mas está posta como etiqueta cultural, com contornos preocupantes velados, simplesmente por haver bilhões de dispositivos móveis estabelecendo conexões utilitárias como sendo essenciais, que por sua vez, reforçam a síndrome da felicidade imediata. Está aí, um amplo debate sobre a regulamentação da internet e redes sociais, além de cartilhas de boas práticas de saúde física e mental, bastando apenas sistematizar estratégias para utilizar a tecnologia de modo assertiva e moderada. Voltar a ser livre é possível e é para hoje!

Por Rodrigo Tarcha Amaral de Souza, Filósofo e Pedagogo, Mestre e Doutor em Educação, Diretor da Escola Municipal Serafim Ferreira – “Sr. Sara” e Avaliador do MEC/Inep para cursos de graduação.

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