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O Futuro Chegou às Nossas Células

Se você costuma ler sobre ciência, deve ter notado que passamos décadas “enxugando gelo” quando o assunto era envelhecimento. Tratávamos a dor da artrose apenas com analgésicos e medicações pouco eficientes, assim como o Alzheimer com abordagens essencialmente paliativas.

Mas, neste início de 2026, o tom das manchetes mudou: estamos saindo da era do controle para a era da regeneração e da modificação da doença.

A medicina regenerativa e a neurociência vivem um momento de transição histórica. Nas últimas décadas, o foco deixou de ser exclusivamente o controle dos sintomas e passou a incluir a modulação biológica das doenças crônicas degenerativas. Entre elas, a artrose e o Alzheimer despontam como dois grandes desafios de saúde pública — e também como áreas de avanços promissores.

Artrose: da degeneração à regeneração

A artrose, antes vista apenas como desgaste mecânico das articulações, hoje é compreendida como uma doença inflamatória de baixo grau, com alterações bioquímicas na matriz cartilaginosa.

Pesquisas recentes identificaram proteínas reguladoras capazes de modular o microambiente articular, estimulando a regeneração da cartilagem e reduzindo a degradação tecidual. Ensaios pré-clínicos indicam que a modulação dessas proteínas pode retardar a progressão estrutural da doença, abrindo caminho para terapias biológicas personalizadas, com impacto direto na funcionalidade e na dor crônica.

Descobriu-se também que, com o envelhecimento, os níveis de determinadas proteínas inibidoras aumentam, impedindo a recuperação dos tecidos. Bloquear essa ação permitiu, em testes laboratoriais, que o corpo regenerasse cartilagem perdida — algo antes considerado impossível.

Além disso, novos exames de sangue conseguem identificar biomarcadores que preveem a artrose até oito anos antes do surgimento das primeiras dores.

Alzheimer: diagnóstico precoce e terapias modificadoras

No campo das demências, a revolução recente foi o desenvolvimento de anticorpos monoclonais direcionados às placas beta-amiloides — um dos principais marcadores patológicos do Alzheimer.

Medicamentos experimentais e já aprovados em alguns países demonstraram capacidade de reduzir a carga amiloide cerebral e desacelerar o declínio cognitivo em fases iniciais.

O novo “padrão-ouro” diagnóstico é o exame de sangue para a proteína p-tau217, que substitui exames caros e invasivos e apresenta precisão superior a 90% na identificação precoce do risco da doença.

Existem ainda medicamentos via oral em fases avançadas de teste, com a promessa de reduzir placas cerebrais com menos efeitos colaterais e maior rapidez, o que poderá tornar o tratamento do Alzheimer tão simples quanto o da hipertensão.

O papel do cuidado multidisciplinar

Mesmo diante dos avanços farmacológicos, a evidência científica reforça que o manejo dessas doenças continuará sendo multidisciplinar.

Na artrose, intervenções fisioterapêuticas, exercícios terapêuticos e controle biomecânico permanecem essenciais para preservar mobilidade e reduzir sobrecarga articular.

No Alzheimer, estimulação cognitiva, atividade física, fisioterapia e suporte familiar seguem como pilares fundamentais.

Embora ainda não possamos falar em cura definitiva para artrose ou Alzheimer, a ciência caminha para a era das terapias modificadoras da doença. Estamos deixando de enxergar o envelhecimento como declínio inevitável e passando a compreendê-lo como processo biológico passível de intervenção.

O otimismo, agora, é parte da receita.

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