Outro dia movida pelo encontro de alguns discos de vinil esquecidos na estante do quarto de leitura fui até uma loja de discos de vinil.
Na vitrine os vários discos expostos já me chamaram a atenção.
Quando entrei percebi que lá dentro o mundo gira em outra rotação.
O sininho na porta anunciava a chegada de um cliente como se fosse um evento. Quem ali entra não tem pressa. Um acordo silencioso foi firmado, o tempo lá fora pode correr, mas ali ele caminha a passos lentos.
O dono da loja, que eu não soube calcular a idade, parecia conhecer ou melhor, conhecia cada disco como se fosse um velho amigo.
Nas prateleiras os discos desfilam em ordem alfabética e por gênero musical, centenas deles eu diria até milhares.
Os discos carregavam mais do que músicas, cada um parecia trazer contigo como se tivessem sido testemunhas das tardes ensolaradas ou chuvosas, amores e festas de que participaram como pano de fundo.
Os clientes iam chegando, alguns decididos, com a lista na mão, outros sem rumo, guiados apenas pelo impulso, ali, diante de uma estante ficam repassando disco por disco.
Tiram o disco, observam a capa, leem o verso, imaginam o som, mesmo antes de ouvi-lo – é quase como um ritual.
De repente, o Toca Disco do balcão ganha vida. A agulha desce com cuidado e delicadeza, e o chiado inicial preenche o ar como um suspiro antigo.
Ninguém ali parece se importar com a praticidade do mundo moderno. Não se trata de ouvir qualquer coisa a qualquer momento. Trata-se de escolher, de esperar, de virar o lado. Trata-se de prestar atenção a cada detalhe daquele momento quase mágico.
E quando finalmente escolhemos um disco, também conhecido com “LP”, não estamos comprando apenas música.
Estamos levando para casa um objeto que exige presença, respeito e delicadeza. Quase um compromisso afetivo.
Essa crônica é para aqueles que como eu, tiveram e têm na vida momentos inesquecíveis ouvindo discos de vinil, colecionadores e amantes do vinil, e para aqueles que veem a conhecer e se apaixonar.








