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O brasileiro é solidário, mas ainda precisa mais para ser voluntário

Roberto Ravagnani é palestrante, jornalista, radialista e consultor. Voluntário como palhaço hospitalar há 17 anos, fundador da ONG Canto Cidadão, consultor associado para o voluntariado da GIA Consultores para América Latina e sócio da empresa de consultoria Comunidea.

Mas ainda temos uma grande confusão, pois temos muitos números e são absurdamente discrepantes. A pesquisa Datafolha de 2022 nos diz que 57 milhões de brasileiros são voluntários, mas conta aqueles que são voluntários em ações pontuais e os que se dizem voluntários, mas não dizem o que fazem. Por outro lado, temos o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que através do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), continua, nos diz que somente 7,3 milhões de brasileiros se dedicam a uma causa voluntária. São números muito diferentes e de institutos de pesquisa que merecem a credibilidade pelos trabalhos que desenvolvem, mas talvez a pergunta ou a metodologia possam influenciar nesta diferença de 50 milhões.

‘Isso me enche de alegria e me dá umaponta de esperança de que ainda temos solução como sociedade’.

De toda forma quero voltar ao início, brasileiro é solidário, isto é uma afirmação que não só eu, mas diversos pesquisadores mostram o quanto o brasileiro é solidário e apoia aquele que mais precisam, principalmente com doações pontuais de produtos ou dinheiro. Isso é lindo e importante, mas para aquilo que nós trabalhadores do terceiro setor (setor que congrega as organizações sociais e fundações) precisamos, ainda precisamos trabalhar muito na formação de conceito e cultura e educar nossa sociedade para entender que se houver um trabalho contínuo de doações de produtos e dinheiro e principalmente de tempo, muito menos vezes serão necessárias as ações emergenciais.

Este é o conceito, se cuidamos periodicamente, mais facilmente sairemos de crises, por isso o chamamento para que se voluntariem, que doem seu tempo, conhecimento a uma causa e se der doe também recursos e produtos para outras diversas, isso fortalecerá o terceiro setor e assim cada vez mais forte, poderá deixar de ser tão dependente de recursos públicos (que não há nada de ilegal ou imoral nisso, pois as OSCs chegam em muitos pontos onde o governo não consegue alcançar) e de doações emergenciais para sanar problemas.

Para isso temos que incentivar o maior número de pessoas para que conheçam o terceiro setor, se envolvam com a causa que lhes faz os olhos brilharem, assim poderão sugerir, apoiar e criticar quando necessário. A participação popular nas organizações sociais é fundamental para que elas façam cada vez mais e melhor. Não basta ser solidário, tem que ser presente, participante, para assim construirmos uma sociedade melhor para todos. Estão todos felizes com a sociedade que estamos vivendo?

    Construindo cidadania

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