Hoje eu vou falar sobre uma pessoa especialíssima das artes de Pindamonhangaba. É sobre o Marcelo Dênny. Dia 2 de março seria mais um aniversário dele…
Ele era mais que um simples artista, era um transformador, um espírito intenso, profundo e instintivo.
Ele surgiu para o teatro convidado pelo Edson Sansil para contribuir nas criações visuais do “Sganarello, o Corno Imaginário”, do Textandotexto.
Na seleção das personagens do espetáculo, quando o Edson buscava o ator que faria o “Lélio”, o Marcelo experimentou e foi unanimamente escolhido pela exuberante performance na sua criação. Tornou-se ator também.
Quando entrou na FASC para fazer Artes Visuais, foi aconselhado pelo professor Afonso a fazer artes cênicas que acrescentaria mais à sua capacidade criativa, pois nas artes plásticas ele já era um grande artista. Isso se confirmou. Formou-se e foi dar aulas.
Na escola Ápice, onde lecionava, criou um grupo de teatro com os alunos e montou trabalhos como “Dom Quixote”, “Teens, Jeans e Afins” que foram obras que transformaram e até hoje persistem na memória e formação desses jovens. No “Teens” eles foram até aprender a dançar no Ballet Alex Martins.
Com o fim do Textandotexto criamos o “Cadê Otelo? ” e montamos a “Barca do Inferno” que foi o grande ponto de mudança do teatro da cidade. Isso catapultou o Marcelo à outro patamar no cenário artístico de Pinda e da região.
Nesse período ele foi convidado para dar aulas na FASC e com a sua criatividade especial transformou as artes cênicas da faculdade elevando-a à um nível de excelência reconhecido em toda a região.
O Marcelo como criador foi um cometa que deixou um intenso rastro de luz atrás de si. Era ousado, intenso, mas sabia reconhecer os talentos, agregava pessoas e sabia extrair o melhor delas.
Encantava e seduzia fazendo com que todos se sentissem intensamente na posse da obra.
Esse olhar e disposição do Marcelo em colher o melhor das habilidades de cada um fez com que um desconhecido grupo de interior produzisse uma obra que chamou a atenção em todos os lugares do Brasil por onde passou.
“A Barca do Inferno” tornou-se o melhor espetáculo de São Paulo pelo Mapa Cultural Paulista e depois do Brasil pelo Festival Brasileiro de Teatro.
Isso chamou a atenção sobre o Marcelo e ele foi chamado para dar aulas na USP.
Mudou-se para a cidade de São Paulo e lá fez mestrado e doutorado e, graças à sua inteligência e talento, logo se tornou o Coordenador e Chefe do Departamento de Artes Cênicas da ECA/USP.
Na sua trajetória fundou e dirigiu diversas companhias e trupes de teatro, produziu muitos espetáculos e performances que alcançaram grande projeção; ministrou palestras, idealizou cursos sobre visualidade cênica contemporânea e performática em diversas universidades e instituições de diversos países como: Alemanha, México, Portugal, Espanha, Holanda, França, Estados Unidos, Chile, Argentina e Brasil.
Destacou-se conciliando a sua produção artística, o seu trabalho acadêmico, nas suas atividades de diretor, ator, cenógrafo, professor, artista plástico, performer, pesquisador, curador diretor de arte.
A sua expressão “A vida é urgente! ” definia muito claramente a sua ânsia em criar, em tornar real toda a magia essencial que guardava dentro da sua alma.
Uma vez ele me disse: “Quando eu era um auxiliar na Biblioteca Pública, às vezes eu me sentia como se fosse um dependente químico e corria a esconder-me entre as prateleiras de livros só para criar uma pequena escultura de massinha…”
Em 31 de agosto de 2020, aos 51 anos de idade, faleceu deixando sua arte e o encantamento em todos os corações que tiveram contato com ela.









