
O mês de maio ganhou, nos últimos anos, um novo significado no Brasil: tornou-se o Maio Furta-Cor, uma campanha dedicada à conscientização sobre a saúde mental materna. Criada em 2020, a iniciativa surgiu com o objetivo de sensibilizar a população e chamar a atenção das autoridades para um tema ainda cercado de estigmas e negligência — o bem-estar psicológico das mães.
E a Clinica Interdiálogos promove a campanha com ações ao longo de todo o mês, incentivando debates, eventos e mobilizações sociais que ampliem a compreensão sobre os desafios emocionais enfrentados por mulheres durante a gestação, o puerpério e ao longo da maternidade.
O Maio Furta-Cor nasceu de forma simples e simbólica: na porta de uma creche, idealizado por duas mães. Desde então, ganhou proporções significativas. Em quase cinco anos, a campanha já contribuiu para a aprovação de mais de 150 projetos de lei relacionados ao tema e expandiu sua atuação para quatro continentes e mais de oito países.
Na cidade, a campanha conta com a atuação das psicólogas pioneiras Ana Letícia Cornetti e Maria Augusta Alves, além de integrar uma rede com mais de 250 representantes no Brasil e no exterior.
De acordo com as psicólogas, a maternidade ainda é frequentemente associada a uma visão idealizada, que ignora suas complexidades e desafios. Esse cenário contribui para o aumento de transtornos como depressão, ansiedade e até casos de suicídio entre mães.
“Dedicar um mês ao tema é uma forma de romper o silêncio e enfrentar o estigma social. Ainda que maio seja um ponto de partida, a campanha reforça que a saúde mental materna deve ser discutida durante todo o ano.” Destaca Maria Augusta.
A escolha do nome “furta-cor” também carrega um significado importante: assim como essa tonalidade muda conforme a luz, a maternidade possui múltiplas facetas, emoções e experiências — todas válidas e dignas de reconhecimento.
A saúde mental materna refere-se ao bem-estar psicológico e emocional da mulher ou pessoa que gesta, abrangendo desde a gravidez até toda a jornada de cuidado com os filhos. Esse processo envolve diferentes fases — concepção, gestação, parto, puerpério e criação — cada uma com desafios específicos. O puerpério, em especial, é considerado um período crítico.
E muitas mulheres ainda enfrentam esse sofrimento em silêncio, sem acolhimento ou tratamento adequado, agravado por cobranças sociais irreais e sentimentos de culpa e insuficiência.
O Maio Furta-Cor se baseia em princípios claros: é uma campanha gratuita, voluntária, inclusiva, democrática e apartidária. Qualquer pessoa pode participar, organizando ações e eventos que promovam a conscientização sobre a saúde mental materna.
A iniciativa é voltada para toda a sociedade, incluindo empresas, instituições e cidadãos, reforçando que o cuidado com as mães é uma responsabilidade coletiva.
Mais do que uma campanha, o Maio Furta-Cor é um chamado para transformar a forma como a sociedade enxerga a maternidade. Reconhecer suas múltiplas cores, acolher as dificuldades e promover redes de apoio são passos essenciais para garantir saúde e dignidade às mães — e, consequentemente, às futuras gerações. A Cliníca está com um calendário repleto de ações voltadas ao mês e que podem ser acompanhadas também pelo perfil @maiofurtacor.pindamonhangaba.








