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José Luiz Pasin e seu campo de estrelas

Juraci de Faria é escritora, poetisa e membro da APL – Academia Pindamonhangabense de Letras

Em 1939, no dia 27 de agosto, nascia em Aparecida o inesquecível José Luiz Pasin. Por bandeira de vida, escolheu a ciência que estuda o ser humano e sua ação no tempo e no espaço. Como historiador, desbravou o Vale do Paraíba, suas fazendas de café, os vultos importantes que, na linha sucessória de suas vidas, definiram nossa cultura e nossa identidade social.

Historiador por excelência, Pasin cedo partilhou seus conhecimentos como professor em escolas públicas e colégios particulares do Vale do Paraíba, faculdades (UNISAL e UNIFATEA, Lorena; Nogueira da Gama, Guaratinguetá), museus (Museu Frei Galvão, de Guaratinguetá, e Museu de Aparecida), Academias de Letras, Institutos Históricos e Genealógicos, dentre os quais, o IEV – Instituto de Estudos Valeparaibanos -, que, em 30 de junho de 2023, celebrou 50 anos de fundação e tem em Pasin, um dos pilares de sua criação.

De sua lavra de professor-pesquisador de História Regional e História do Brasil, José Luiz Pasin deixou-nos uma coleção memorável de livros, artigos (Revista Ângulo, Folha de São Paulo e Jornal Valeparaibano) e entrevistas. Seus livros, publicados a partir de 1962, contemplam a história e a cultura valeparaibana, a preservação do patrimônio ambiental e cultural e, de modo especial, a historiografia de nossa gente: “Os Ciclos Econômicos do Vale do Paraíba” (1962), “Poetas de Guaratinguetá” (1974), “Algumas notas para a história do Vale do Paraíba: desbravamento e povoamento” (1977), “Poetas de Aparecida” (1978), “O Visconde de Guaratinguetá” (1979), “Guaratinguetá: tempo e memória” (1983), “Vale do Paraíba: ontem e hoje” (1988), “Pasin: cem anos de uma família italiana no Brasil” (1988), “Panorama da Literatura do Vale do Paraíba” (1995), “O Instituto de Estudos Valeparaibanos e a preservação do Patrimônio Ambiental e Cultural do Vale do Paraíba” (1999), “Barões do Café: titulares do Império no Vale do Paraíba Paulista” (2001), “A Jornada da Independência” (2002), “O Outro Euclides: o engenheiro Euclides da Cunha no Vale do Paraíba, 1902-1903” (2002), “Vale do Paraíba: a Estrada Real, Roteiros & Caminhos” (2004), “Catálogo da sala Euclides da Cunha” (2005) e “Vale do Paraíba: história e cultura” (2007).

Com o tempo, José Luiz Pasin ampliou sua consciência ambiental, tornando-se uma referência na defesa de causas ambientais. A voz do ambientalista ecoava em sala de aula, em palestras e conferências, artigos e entrevistas. Pasin preservava e ensinava a preservar. Sua casa, na Fazenda Boa Vista – Roseira Velha, era circundada por árvores nativas e animais silvestres, e, nessa reserva ecológica, recebia seus alunos e escolas envolvidas em projetos ambientais.

Dileto amigo e colega na UNISAL – Lorena, numa manhã de 1997, Pasin me chamou nas dependências do IEV e mostrou-me a coleção de livros do Malba Tahan – para mais de uma centena! -, fazendo-me um convite-desafio: “O Vale do Paraíba precisa de um pesquisador para Malba Tahan. Você bem que poderia trazer seus alunos para pesquisar no IEV”. Daquele dia em diante, nunca mais fui apenas professora de matemática.

As pesquisas sobre a vida e a obra de Malba Tahan levaram-me não só a ingressar em programas acadêmicos de estudo como a apaixonar-me, como o Mestre Pasin, pela história do Vale do Paraíba e por sua gente.

Em 2008, no dia 11 de janeiro, José Luiz Pasin transfigurou-se. Certamente, foi chamado a contemplar o seu vasto campo de estrelas! Nós, seus amigos e discípulos, aqui estamos, com a sua bandeira hasteada no mais alto mastro dos filhos ilustres do Vale do Paraíba, perpetuando a sua memória e sua honrosa vida de valor: “Da minha janela na Roseira Velha, quando eu abro de manhã, eu faço meu diálogo com o mundo. É indiferente morar em Roseira Velha, Rio de Janeiro, Londres, Paris ou Roma; tudo é muito relativo. O que importa é o que faço no espaço onde moro; é a minha relação diária com as pessoas e com a cultura. Eu sempre digo que o meu país, antes de tudo é o Vale do Paraíba, inserido no Brasil. Estas fronteiras geográficas, estas raízes, que constituem a Serra da Mantiqueira, de um lado, e a Serra do Mar, do outro, elas impelem a minha caminhada e eu não saberia viver fora deste Vale do Paraíba.“ (Pasin, em entrevista de 1987).

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