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Garota propaganda

A sogra de trinta quilos e um metro e setenta de altura apareceu de mala e cuia.
— Mamãe veio passar uns dias conosco porque a casa dela está em reforma. Assim que a obra terminar ela irá embora.
Ele engoliu adjetivos cabeludos, levou a esposa para o quarto e reclamou:
— Por que não me disse antes?
— Me desculpe, amor. Estava tão ocupada com os afazeres domésticos que acabei esquecendo.
Depois do jantar, a matriarca sentou-se no sofá e disse que queria assistir a novela das oito.
— Vai começar daqui a pouquinho.
— Não vai dar vovó! Papai, mamãe e eu vamos assistir a um filme.
A mãe, que enxugava a louça, saiu da cozinha e interveio, sintonizando o canal da novela. O filho fez bico. O pai, que analisava gráficos do Ibope, também não gostou.
— Senta aqui, meu genrinho preferido. (Ele era o único) Chega de trabalhar.
Se ele não fosse, ela ficaria insistindo. Por isso, se espremeu no sofá com a família.
Nos intervalos a sogra repetia a mesma ladainha: meu maior sonho é ser estrela de comercial de televisão.
Quando a novela terminou ele foi dormir. A esposa foi atrás.
— Estive pensando. Mamãe pode morrer a qualquer momento.
— Nós também.
— Mas nós não temos nenhuma doença incurável.
Silêncio.
— Bem que você poderia escalá-la para fazer algum comercial.
— Você tá maluca? Quer jogar o nome da minha agência no lixo?
Ela tirou a camisola e o abraçou.
— Qualquer comercialzinho. Ela nem precisa falar. Só aparecer. Por favor, amor. Ela está morrendo.
Na noite seguinte, durante o jantar ele anunciou:
— Sogrinha, você vai estrelar um comercial na TV.
A velha engasgou e desengasgou.
— Mas, tem uma condição: não poderá dizer a ninguém qual produto irá propagandear.
— Pra mim pode, né?
— Não, não pode; nem pra você, nem pro nosso filho, nem pra ninguém. Se ela bater com a língua nos dentes, cancelo tudo.
— E quando ela aparecerá na TV?
— Em breve, e no horário nobre.
No dia seguinte, levou a sogra para ensaiar e gravar o comercial.
Ontem à noite, espremidos no sofá, mal prestavam atenção na novela, mas quando o intervalo começou, arregalaram os olhos. Na telinha a sogra apareceu de olhos fechados e sorrindo dentro de um… Caixão, enquanto o locutor dizia:
Adquira caixões da ‘Funerária Flor de Lis’ e deixe o defunto partir feliz”.

Maurício Cavalheiro ocupa a cadeira nº 30 da APL – Academia Pindamonhangabense de Letra

Proseando

Maurício Cavalheiro
Maurício Cavalheiro
Maurício Cavalheiro é um escritor e trovador brasileiro, natural de Pindamonhangaba, São Paulo. Ele é conhecido por suas obras na forma de trova e também por sua coluna "Proseando" no jornal Tribuna do Norte. Além disso, é membro da Academia Pindamonhangabense de Letras, da União Brasileira de Trovadores (UBT) e da Academia Brasileira de Sonetistas (ABRASSO).
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