“Eu nunca quis me matar, mas já quis morrer e pedi pra Deus me levar”
— Alguém disse, no meio de uma conversa qualquer.
A mesa estava leve. Risada fácil, Chopp descendo, e o álcool batendo — Até que essa frase caiu. E ninguém sabia se continuava bebendo ou fingia que não ouviu. Eu larguei o copo.
Não porque foi chocante. Mas porque foi honesto demais.
A gente vive repetindo que ama a vida. Posta frase bonita, fala de gratidão, faz textão sobre “viver o agora”. Mas, na prática, tem dia que a gente só quer que tudo dê uma pausa.
Sem drama. Sem anúncio. Sem bilhete. Só… parar. E isso não tem nada de poético.
É cansaço. Cansaço de resolver problemas que não acabam. De engolir coisas que incomodam. E vontade de sentar de baixo de uma arvore com um maço de cigarro e um velho barreiro e chorar.
Chorar pela exaustão de sustentar uma versão de si mesmo que nem faz mais sentido.
Mas repare numa coisa curiosa: Ninguém quer morrer de verdade.
Quando a morte chega perto — de verdade, você fica de cara com a dita cuja, sem frase pronta — o discurso muda na hora. Vem o medo. Vem a barganha. Vem aquele instinto meio desesperado de “calma, ainda não”.
Engraçado, né? A gente romantiza a morte quando ela tá longe. Mas implora pela vida quando ela chega perto.
Então talvez a frase não seja sobre querer morrer. Talvez seja sobre não saber como continuar vivendo do jeito que está.
E aí vem a parte que ninguém gosta: A vida não vai parar pra você respirar.
Ela não vai ficar mais leve só porque você tá cansado. E não existe botão de pausa.
Mas existe escolha. Pequena, às vezes ridícula até. Mas existe.
Mudar uma coisa. Sair de um lugar. Falar o que tá entalado. Parar de insistir no que já morreu faz tempo — menos você.
Porque no fim, não é sobre amar a vida o tempo todo.
É sobre não desistir dela nos dias em que ela pesa.
E olha…. Esses dias existem pra todo mundo. Inclusive pra quem tá rindo na mesa de um bar.








