Nunca fui boa com poemas ou cartas de amor, mas como dizem por aí, é na dor que se nascem grandes canções
Nunca fui boa com poemas ou cartas de amor, mas como dizem por aí, é na dor que se nascem grandes canções.
Para quem está apaixonado…
Escrevo-te como quem tenta conter uma guerra dentro do peito — inútil esforço. Desde que teus olhos tocaram os meus, não conheço mais repouso. Há em mim uma inquietação constante, como se o mundo inteiro tivesse se tornado pequeno demais para abrigar o que sinto por ti.
Teu olhar me persegue. Não como lembrança…, mas como uma inquietação. Fecho os olhos e ainda assim te vejo — vívida, quente, inevitável. Há algo em ti que não me permite esquecer, e confesso: não desejo fazê-lo. Prefiro o tormento da tua ausência à paz vazia de nunca ter te encontrado.
Teu sorriso… ah, teu sorriso. Ele me desmonta mais do que qualquer batalha jamais ousou. É suave, mas carrega uma força que me subjuga sem esforço. Se sou imperatriz de algo, minha amada, não é de terras nem de homens — sou prisioneira daquilo que despertas em mim.
E teu cheiro… perdoa-me a ousadia, mas é impossível não o mencionar. Não é ornamento, não é vaidade — é essência. É como se tua própria natureza tivesse sido moldada para dialogar com a minha. Aproximo-me de ti e tudo em mim silencia… e ao mesmo tempo grita.
Há em ti uma doçura que não é ingênua, uma paz que não é frágil. E isso me inquieta. Porque não sei se fui feita para merecê-la — mas sei, com uma certeza quase cruel, que não posso viver sem ela.
Se te pareço excessiva, é porque és excessiva em mim.
E assim sigo, dividida entre o desejo de te possuir por inteiro e o medo de que, ao fazê-lo, eu destrua aquilo que mais venero.
Permanece. Ou parte.
Mas não me condenes à indiferença — isso, sim, seria minha ruína.
Tua, em rendição e incêndio,
— Aquela que já não governa a si mesmo.








