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Feliz Ano Novo (de verdade!): O despertar do Brasil e a vez do voluntariado

Diz a lenda — e o pragmatismo de todo brasileiro que se preze — que o ano só recebe o sinal verde depois que a última gota de suor e a última partícula de purpurina são varridas do asfalto. Pois bem, o Carnaval passou, o eco dos tamborins silenciou e as fantasias voltaram para o mofo do armário. Finalmente, sem mais desculpas ou feriados prolongados à vista, podemos dizer com propriedade: Feliz 2026!

Agora que o país desconecta o “modo festa” e engata a marcha para a realidade, surge aquela pergunta clássica que paira no ar como uma ressaca coletiva: “E agora, o que vamos fazer com o restante do ano?”. Se em janeiro a gente rascunha promessas na agenda e em fevereiro a gente se permite o caos da alegria, março chega com o boleto da responsabilidade e o desejo de fazer algo que realmente deixe um rastro de propósito.

E se você busca um palpite para a “tendência” deste ano, pode esquecer as cores da moda ou as últimas dancinhas das redes sociais. Em 2026, a bola da vez é o voluntariado. Mas não estamos falando daquele modelo antigo, engessado, que só aparecia em fotos de Natal ou em situações de catástrofe. O voluntariado deste ano vem com a “bola toda”, rejuvenescido e, acima de tudo, querendo sentar-se em todas as mesas.

A grande meta para este novo ciclo é a inclusão. Queremos o voluntariado infiltrado, de penetra ou convidado de honra, em todas as rodas de conversa: no cafezinho da firma, no grupo de WhatsApp da família (entre um meme e outro), no happy hour com os amigos e até na fila do pão. A ideia é implodir aquele estigma de que ser voluntário é um privilégio para quem “tem tempo sobrando” ou uma missão exclusiva para “heróis sem capa”. Ser voluntário é, essencialmente, um exercício de cidadania que cabe na rotina de qualquer um que já sentiu aquela pontada de vontade de transformar a indignação em ação prática.

Imagine o potencial se mudássemos o disco das nossas reuniões sociais. Em vez de gastarmos horas apenas reclamando do trânsito, da política ou do preço do tomate, que tal discutirmos como aquela sua facilidade com planilhas de Excel pode salvar a gestão financeira de uma ONG do bairro? Ou como aquele seu talento nato para contar histórias pode ser o ponto alto da semana de crianças em um abrigo? O voluntariado inclusivo é isso: é entender que ninguém é tão desprovido que não tenha nada a oferecer, e ninguém é tão autossuficiente que não precise de uma mão amiga.

Este ano, o convite é para que o espírito de união e colaboração que vemos nos blocos de rua — onde estranhos se ajudam e a alegria é compartilhada — se transforme em uma solidariedade estratégica e contínua. Queremos ver a pauta social furando as bolhas e chegando a lugares onde antes ela era vista como algo “distante” ou “complicado demais”. Queremos que o voluntariado seja discutido com o mesmo fervor que dedicamos à análise do último reality show ou à escalação do nosso time de futebol.

Afinal, a inclusão do voluntariado nas rodas de conversa gera um efeito cascata. Quando você conta que dedicou duas horas do seu sábado para ajudar uma causa, você não está se vangloriando; você está “infectando” o outro com a possibilidade de fazer o mesmo. É o marketing do bem, o boca a boca da empatia.

Portanto, mãos à obra! O ano começou agora, o motor do Brasil finalmente pegou no tranco e a energia pós-folia ainda está vibrando. Que em 2026 a gente não apenas “passe de ano” como quem cumpre tabela, mas que façamos o ano passar por nós de um jeito mais humano, conectado e, acima de tudo, generoso. Que cada roda de conversa seja um terreno fértil para uma nova ideia solidária.

Um excelente, produtivo e engajado Ano Novo para todos nós!

Voluntários

Roberto Ravagnani
Roberto Ravagnani
Roberto Ravagnani é palestrante, jornalista, radialista e consultor. Voluntário como palhaço hospitalar há 17 anos, fundador da ONG Canto Cidadão, consultor associado para o voluntariado da GIA Consultores para América Latina e sócio da empresa de consultoria Comunidea.
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