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Em 2026, um brinde às boas amizades

“Porque era ele, porque era eu”. Foi assim que o filósofo francês Michel de Montaigne explicou, em seus Ensaios, como surgiu sua amizade com o também filósofo Étienne de la Boétie.

Para Montaigne, em comparação às nossas outras relações pessoais, a amizade é a mais pura e sublime, justamente por não ser pautada por obrigações ou conveniência. Ou seja, na maioria das vezes não há motivo ou explicação para o início de uma amizade, senão uma afinidade inexplicável. Simples assim. E é maravilhoso.

Mas, infelizmente, não se pode ignorar o outro lado da moeda: o que fazer quando uma amizade acaba? Como é que fica? Será que o fim de uma amizade – assim como o seu nascimento – também pode acontecer de repente, pá pum!, do nada?

Bom, para início de conversa, confesso que nada sei sobre isso. Na verdade, até pouco tempo atrás eu nem sequer imaginava que amizades pudessem acabar.

Sempre vi minhas grandes amigas como aquelas almas abençoadas, que eu amo e que, por algum motivo inexplicável, me acompanham ao longo dos anos. Não, isso nunca mudaria. Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza. Na distância ou em uma viagem em grupo. Nos cafés da tarde e na coquinha zero. Desabafando sobre os perrengues da vida ou gargalhando numa mesa de bar.

Mas o triste fato, leitores, é que amizades podem morrer, sim.

Às vezes acabam de forma abrupta (e você se pergunta se aquela relação era, de fato, uma amizade); outras vezes, morrem lentamente, talvez por falta de interesse.

O contato vai ficando mais e mais raro, assim como as conversas, as risadas, os memes. Até que um belo dia a gente percebe: morreu.

E muito embora seja essencial respeitar isso e seguir adiante (pois não há milagre que possa ressuscitar uma relação que acabou), isso não significa que gente não sofra.

Sobretudo em amizades entre mulheres, essa morte pode ser muito mais dolorosa do que, por exemplo, o fim de um relacionamento amoroso.

E não estou dizendo que términos de namoro ou casamento não doam. Eles doem, sim (até a próxima paixão). Mas, se perco uma amiga… Vixe, aí é outra história.

É algo bem mais profundo. Uma parte insubstituível da minha vida que se vai e não volta mais.

Justamente por isso é tão importante que saibamos valorizar e nutrir as boas amizades, pois elas nos salvam todos os dias, de inúmeras formas.

Estar presente, escutar e cuidar.

E, claro, que não percamos a habilidade de nos abrirmos também a novas amizades, aquelas que trazem um “respiro” ao nosso cotidiano, mesmo sem saber se elas de fato se transformarão em relações de longa data.

Mas essa pergunta eu deixo para o tempo, que é o senhor de todas as verdades e todos os destinos.

Neste início de ano, posso dizer que sinto pelas amizades que se foram em 2025. Mas, por outro lado, sou grata pelas novas amigas que chegaram.

E, principalmente, sou feliz pelas que permaneceram.

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