Arte cênica não é só teatro! Ela é a arte que envolve o corpo do artista, sua voz e movimentos como ferramenta principal para contar a sua história. Da mesma forma é, também, a dança, a ópera, o circo, a mímica, enfim…
Hoje eu quero falar de um grupo que se originou desse movimento cênico que aconteceu durante a virada do milênio aqui em Pinda, o Educadança. Foi um grupo que envolveu nos seus espetáculos técnicas e expressões teatrais como elemento de destaque na sua criação.
Para falar do Educadança temos que falar da Alessandra Rodrigues. Ela fazia aulas no Ballet Alex Martins quando resolveu passar o que estava aprendendo às meninas do seu bairro que tinham vontade de dançar, mas o valor dos cursos nas escolas da cidade era um impedimento.
Com o apoio do seu pai transformou um quarto nos fundos da sua casa em sala de aula e iniciou o curso. Foi um sucesso total.
O número de alunas aumentou muito e a sala ficou pequena.
Conseguiu, então, um espaço no C.C. Luiz Caloi.
Buscando seus caminhos desenvolveu sua filosofia: “educar dançando é a sua meta”.
Para desenvolver o seu aprimoramento artístico profissional, além das aulas no Ballet Alex Martins, fez o curso de Educação Artística e Pedagogia na FASC, pós-graduação em Linguagens da Arte e Psicopedagogia, técnica em Dança Clássica pela Fêgo Camargo, Dança Terapia, por Maria Fux e o envolvimento no teatro do “Cadê Otelo? ”.
Aplicar técnicas teatrais adaptadas à dança aprofundou sensivelmente a formação das bailarinas do grupo.
Em 1999 montou o seu espetáculo de fim de ano com a primeira história contada num enredo linear, com começo meio e fim. O espetáculo era “Décadas”.
Em 2000 o “Vale Encantado” foi seu primeiro espetáculo produzido mais elaboradamente.
Falou aí da nossa cultura popular, sobre o desenvolvimento humano e a dança num enfoque diferenciado.
Para aprofundar o estudo teórico adentrou à pesquisa de campo e foram ao local, junto aos artesãos, investigar e conhecer mais minuciosamente a obra.
Mergulhando nos estudos da cultura popular produziu um espetáculo grandioso. As experiências de formação começaram a consolidar o estilo do Educadança e os espetáculos passaram a ter continuidade, trajetória.
Começou a ser conhecido e premiado desenvolvendo uma formação original nas características da dança na cidade.
A participação do André, seu marido, acompanhando, assessorando e registrando as imagens dos trabalhos no Educadança foi de muito alta valia.
Esse envolvimento fez com que o Educadança se tornasse como uma família onde as meninas se encontravam fora dos horários de escola e afazeres domésticos.
E a Alessandra, embora fosse muito jovem, tornou-se a segunda mãe das meninas. Era a professora, a amiga…
O processo de transformação naquelas meninas foi de uma significância indescritível.
A Alessandra conta um fato realmente marcante: “A mãe, trouxe a Larissa e sua irmã que queriam muito dançar. Larissa tinha algumas limitações na mão e no pé. Ao fim da aula a mãe as encontrou muito entusiasmadas, especialmente a Larissa. Ficaram. Na primeira apresentação a mãe, emocionada, não se continha vendo a performance da filha. Até hoje, quando a Larissa me encontra, vem correndo me abraçar. Hoje ela é professora de educação física, de natação e atleta. Ela ainda fala do quanto foi importante eu ter acreditado e dado oportunidade a ela de fazer dança. ”
O trabalho que a Alessandra desenvolveu no Educadança hoje ela replica na UNIFASC com resultado altamente satisfatório.
Enfim, em 2007, as bailarinas do grupo começaram a definir suas novas fases na vida: faculdades, Teatro Bolshoi, mudanças de cidade, etc., o que foi causando uma dissolução do grupo.
As meninas se foram e ficou a “Metodologia Educadança”.









