Um dos temas que mais tem provocado acalorados debates nos tempos atuais é a Desigualdade, sobretudo a Desigualdade Social que atinge milhões pessoas no nosso planeta. Ela impede o acesso aos direitos fundamentais do cidadão como a saúde, educação, moradia, originando exclusão impiedosa e marginalização, limitando oportunidades e ceifando recursos, fatos esses que dificultam sobremaneira a construção de uma sociedade mais equânime e humana.
Esse fenômeno complexo, evidentemente enraizado nas estruturas sociais e culturais não é apenas resultado de diferenças econômicas. A reprodução das desigualdades se observa em múltiplos espaços, em especial, na escola, onde elas são perpetuadas, não apenas através do acesso desigual à educação, mas, também pela valorização de certos tipos de conhecimentos e habilidades culturais que são mais frequentes em classes sociais mais ricas.
Ao longo do tempo, esse palpitante assunto tem sido um dos temas centrais da Filosofia, pela sua importância e abrangência, na tentativa de estabelecer as causas e implicações políticas e éticas com vistas a formação de um mundo melhor.
O grande sábio da Antiga Grécia, Aristóteles, afirmava que a busca da igualdade reside na distribuição proporcional de oportunidades entre os homens, sendo célebre a sua afirmativa: “Devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida da sua desigualdade”.
Muitos Filósofos se debruçaram sobre o assunto em pauta: Rousseau, Immanuel Kant, Adam Smith, Montesquieu, John Locke, e Karl Max, entre outros. Enfocaremos, nesse breve espaço, um pouco do pensamento de Jean Jacques Rousseau, visto que ele é considerado um pioneiro por muitos estudiosos nesse tema tão empolgante.
Jean Jacques Rousseau nasceu em Genebra, na Suíça, em 1712 e faleceu na França em 1778, deixando um legado de escritos nos quais atacava a sociedade do seu tempo e que lhe rendeu muitos inimigos e a hostilidade de poderes estabelecidos. Sempre pensou a relação humana ideal como uma relação de igualdade e não de hierarquia.
Em 1775, publicou a famosa obra intitulada “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens”. Nela, ele anuncia dois tipos de desigualdade: a primeira, denominada natural ou física, que é estabelecida pela natureza (idade, força, saúde) e a segunda que se chama moral ou política decorrentes dos diferentes privilégios que alguns usufruem em detrimento de outros, sendo alguns mais poderosos do que outros.
Para ele é impossível ser verdadeiramente livre onde impera a desigualdade. No seu entender o que interessa é a desigualdade convencional que corrompe as pessoas porque esta nasce da diferença de poder, de riqueza e de propriedade, sendo, portanto, inaceitável. É a desigualdade moral ou política, pois essa é a que submete um homem ao outro.
Para esse Filósofo, o homem é naturalmente bom e puro, sendo que, o que vai torná-lo mau, corrupto, será a própria sociedade e seus progressos que levarão os homens a se odiarem, notadamente quando seus interesses se enfrentam.
E, não é isso que acontece com essa hipócrita e cruel sociedade do “Ter Mais” a qualquer custo? A ambição desmedida, segundo Rousseau, origina a desarmonia social que faz desaparecer a igualdade tão almejada.
Portanto, tenhamos a consciência de que os conflitos sociais, precursores da miséria e da degradação humana, podem ser resolvidos ou atenuados com a construção de um Estado equilibrado, justo e democrático, baseado na obediência aos direitos e deveres de cada um.