Um dos grandes problemas do mundo atual, e do Brasil, em especial, ultrapassando as questões da economia e da segurança e criminalidade, é a CORRUPÇÃO. Na escala (que vai de zero = alta corrupção a 100 = ausência de corrupção) denominada Índice de Percepção da Corrupção (I.P.C.), o nosso país atinge 35 pontos, a vergonhosa 107ª posição entre 180 países analisados.
O certo é que esse fenômeno deplorável afeta o bem-estar dos nossos patrícios e o desenvolvimento econômico-social, originando a desigualdade. Numa rápida leitura nos nossos jornais, constatamos as fragilidades estruturais como a famosa “operação abafa” nos três poderes da República e a fragilidade escandalosa das investigações.
A corrupção corrói o Estado Democrático de Direito e contribui para o declínio perigoso e preocupante da Democracia, sobretudo na gestão de recursos públicos, negando acesso à saúde, educação e moradia, aprofundando o deplorável abismo social que atinge cruelmente as populações vulneráveis.
Uma vez feitas essas considerações iniciais, indagamos: como a Filosofia encara essa situação grave? O que ela propõe? Essa importante e essencial área do Conhecimento Humano analisa o fato em pauta, classificando-o não apenas como um mero crime, mas como a quebra ética que destrói vidas, envolvendo principalmente a apropriação indevida de poder público para fins privados (é público e notório o desvio das emendas parlamentares que empobrece o país).
A CORRUPÇÃO representa realmente a desestruturação do modo de vida da comunidade, que enfraquece valores republicanos, como já apontava o filósofo e historiador italiano Nicolau Maquiavel (1469-1527), considerado o fundador do pensamento e da ciência política moderna. Para ele, a ética profissional e a corrupção estão em rotas opostas, uma vez que, ao se apresentar atitudes éticas, não existirá espaço para a corrupção.
Realmente não podemos esquecer que o problema é bem antigo. Os filósofos gregos Platão e Aristóteles ensinavam: esse fenômeno acontece quando há falta de virtude e do fracasso em não atingir o bem comum.
Séculos depois, o filósofo francês Jean Jacques Rousseau, autor de “Do Contrato Social”, para quem “O homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe”, nos afirma algo deveras importante: a desigualdade social, de um lado, e o luxo ostensivo, do outro, são apontados como geradores incontestes da corrupção, atingindo mortalmente os valores e a coesão da República.
Dessa maneira, a Filosofia cumpre o seu papel ao nos auxiliar a refletir e entender esse flagelo social como um problema cultural que diz respeito a todos os seres humanos, ao questionar as origens da corrupção e propor soluções com base na ética e na transparência.
Estejamos atentos aos que possuem visão simplista de que estamos diante apenas de “falta de caráter individual”. Vai mais além: envolve um sistema que precisa ser enfrentado por todos nós, com muita coragem e determinação pelo bem do nosso Brasil e das gerações vindouras.









