Tudo começou no Pujol. Janeiro de 1997. Eram alunos do Ensino Médio sonhando com “fazer teatro, participar do FESTIL”. Então juntaram-se jovens que aspiravam mergulhar dentro do sonho de criar uma arte que, embora ainda não soubessem, os transformaria profundamente. Ensaiavam no Pujol ou na casa da Kelly, uma das componentes do grupo.
Montaram o “6.3.5 A Cura da Peste”. Apresentaram-se, obtiveram os primeiros prêmios. Veio o “B em Cadeira de Rodas”, depois “Além”.
Em 2001, sem dinheiro, sem patrocínio, só com coragem, o Controvérsias mergulhou no “Projeto Casarão”. Foi um divisor de águas. O movimento pela casa e todo o processo criativo proporcionado foi uma subida vertical para o grupo.
“Eu me lembro entrando naquela casa com mato dentro… a gente não sabia o que tinha e entrava com enxada, facão e disposição pra fazer a limpeza daquela casa abandonada…”, relembra Thati Rosa.
“Foi uma loucura! Mas isso fez o grupo se unir. Realmente, foi uma mudança… Pessoas entraram e saíram, mas nós nos aprofundamos numa amizade que fazia a gente querer estar ali, estarmos juntos sempre que podíamos”, corroborou Mateus Correia.
Aí veio o “Bumba Meu Boi”, uma festa da cultura popular, totalmente Brasil. Foi a virada de chave.
Vieram os desafios financeiros: pagar aluguel, montar o espetáculo, buscar patrocínio, realizar trabalhos no Nosso Bairro e outros projetos. O objetivo era deixar de ser um grupo estudantil e, inspirado no exemplo do Cadê Otelo, tornar-se um grupo que participasse de festivais e viajasse por outras cidades.
Descobriram a semente do colaborativo, da participação coletiva, da experimentação e da criação compartilhada.
O “Bumba” participou de festivais, recebeu verba de participação, prêmios e possibilitou a montagem da “Casa Fechada”.
Em parceria com a Prefeitura, num projeto de circulação, o “Bumba” apresentou-se nas escolas municipais de Pindamonhangaba. Quando não havia espaço adequado, as apresentações aconteciam em centros comunitários. O espetáculo, concebido no casarão, adaptava-se a ruas, espaços não convencionais ou palcos.
Participaram de diversos festivais regionais e de outros estados, com destaque para o Mapa Cultural 2004. Após passar pelas fases municipal e regional, no Teatro Sérgio Cardoso, o espetáculo consagrou-se como o melhor do Estado de São Paulo.
Com o Prêmio de Circulação para apresentações em dez municípios, o grupo alcançou um novo patamar de prestígio no cenário teatral paulista.
A próxima montagem foi “Um Meio Dia de Fim de Primavera”, inspirado em Fernando Pessoa (Alberto Caeiro), mantendo a temática da cultura popular. O espetáculo foi aprovado no Programa ProAC e deixou marcas profundas.
Depois veio “Será o Benedito”, de curta duração, seguido por “Folia do Homem Diabo”, texto cedido pelo Cadê Otelo e retrabalhado pelo grupo. A montagem participou do Projeto Ademar Guerra, apresentando linguagem mais madura e dramaticidade elaborada.
Um episódio curioso marcou a produção: o uso de achocolatado no cenário, que causou escorregões, formigas e caos em cena.
A “Folia” passou pelas fases municipal e regional do Mapa Cultural. Em seguida, o grupo montou “Estado de Sítio” e atualmente está em processo de montagem do espetáculo “7 Encruzilhadas – Jornada do Coração”, com estreia prevista para maio.
Esse é um breve relato da trajetória vitoriosa do Controvérsias.









