“Ele fez a cidade maior… e cresceu para ser superior em poder de reis e tiranos, mas ele não fez a sua propriedade um único dracma maior” – PLUTARCO!
Cheguei a Atenas num lindo domingo.
Foram três horas e meia de voo de Paris até aqui.
Era o mês de julho de 81, numa manhã de sol em pleno verão europeu.
O percurso do aeroporto Elefthérios Venizélos até o centro dura 30 minutos.
Ao longo do caminho viam-se casas e apartamentos com varandas e seus gerânios e praças cobertas de laranjeiras.
Durante esse trajeto, o meu primeiro pensamento foi “vou pôr os pés no início desta Civilização”!
Era uma viagem pelo tempo, na história e na mitologia.
Nesse instante fui tomado de emoção.
Teria um “encontro” com Sócrates, Platão, Aristóteles, Heráclito, Tales, Epicuro e Diógenes, dentre muitos outros filósofos da Antiguidade.
Ali nasceram conceitos de filosofia, democracia, cidadania, ética além de conhecimentos de matemática, geometria, linguagem, astronomia e medicina.
Tinha o dia todo para conhecer um tanto da cidade, pois ali o pôr do sol acontecia por volta das 22h.
Precisava aproveitar esse tempo, já que uma semana de trabalho se avizinhava.
Hospedei-me no hotel NJV-Meridién na Praça da Constituição (Sintagma), coração da cidade.
Sai do hotel decidido a explorar ao máximo a cidade.
Já havia andado algumas quadras quando ao longe vislumbrei a Acrópole assentada soberana sobre uma rocha no alto da colina.
O coração acelerou, aumentei os passos, quase não acreditava no que estava vendo.
Num instante cheguei à bilheteria, comprei meu ingresso, passei a catraca e o momento de magia começava ali…
Pisava no solo onde começou a Era Moderna.
Foi construída em 450 a.C.; eu olhava o entorno e via tudo com sofreguidão, quase sem ar.
Fui subindo em direção ao platô da rocha onde se encontrava a Polis.
Avistei o Monte Licabeto que ao longe dominava a cena panorâmica da cidade.
No caminho tive a nítida sensação que estava ouvindo os relatos de Homero sobre o culto a Atenea (Minerva) no interior do templo a ela dedicado.
Passei pelo Odeon de Herodes e, absorvido que estava, me deparei com as Cariátides, lindas figuras femininas esculpidas e que substituíam colunas ou pilares de sustentação.
Ali fiquei por um bom tempo em verdadeiro estado de contemplação.
Continuei minha caminhada… passei pelas estruturas de Sólon, Pisistrato e de Clistenes.
De repente, senti uma lufada de ar, uma ventania inesperada, fechei os olhos por causa da areia levantada e parecia ouvir o tropel dos persas que acabavam de chegar destruindo tudo por onde passavam sem nada respeitar.
Ruínas!
Mas tudo aquilo precisava ser preservado de novos ataques seja lá de quem fosse.
Ao meu lado havia um grupo de turistas ingleses sendo orientados por um guia local cujo inglês carregado atestava suas origens.
Disfarçando, mas atento, passei a ouvir as explicações do guia…
Ele dizia bem alto para todos ouvirem e com indisfarçável orgulho que “logo depois vieram Temístocles e Cimon e reconstruíram os muros que fechavam a Acrópole, mas foi Péricles quem de fato a reconstruiu”.
Distanciei-me do grupo, tinha um guia em mãos que havia recebido na entrada.
Um pouco adiante, vi a majestosa construção do Partenon e as suas majestosas colunas dóricas, lugar sagrado, dedicado à deusa Atena, padroeira da cidade, Patrimônio da Humanidade.








