
A Associação dos Jornalistas de Pindamonhangaba (AJOP) tem realizado um debate muito proveitoso entre seus membros, durante os encontros que realizamos e também nesta coluna semanal na Tribuna do Norte. Hoje, quero abordar neste espaço o exercício constante da leitura como importante ferramenta para o bom jornalismo.
No mundo atual, onde a informação circula em tempo recorde e a tecnologia redefine constantemente o jornalismo, muitos acreditam que dominar ferramentas modernas seja suficiente para ser um bom profissional da área. No entanto, mais do que apenas conhecer os fundamentos tecnológicos, um jornalista precisa ter uma base sólida em história e leitura para interpretar e relatar os fatos com profundidade e responsabilidade.
O conhecimento histórico permite que o jornalista compreenda os contextos dos acontecimentos, evitando análises rasas e ajudando a identificar padrões que se repetem ao longo do tempo. Esse conhecimento é encontrado sobretudo no exercício da leitura e na exploração da curiosidade através de pesquisas.
As gerações mais antigas lembram muito bem como era importante a aquisição da Enciclopédia Barsa! Quanto trabalho a gente tinha para fazer nossas tarefas escolares… Quem não tinha a “Barsa”, a alternativa era descer a Ladeira do Bosque e recorrer à nossa biblioteca municipal, que ainda sobrevive (hoje mais moderna e central), mas que no passado era lotada de estudantes. Esse tempo não volta mais, entretanto foi fundamental para a prática do raciocínio, pois, primeiro a gente anotava os tópicos pesquisados, depois fazia um resumo (esboço), para que finalmente o trabalho pudesse ser executado.
A leitura é essencial para desenvolver um pensamento crítico e aprimorar a escrita. O hábito de ler amplia o vocabulário, melhora a capacidade de argumentação e permite que o jornalista reconheça diferentes estilos e abordagens textuais. Além disso, ler grandes reportagens, livros e artigos aprofundados ajuda a identificar fontes confiáveis e construir uma apuração mais rigorosa.
Portanto, ser um jornalista completo vai muito além de dominar editores de vídeo, redes sociais ou inteligência artificial. A tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas é o conhecimento adquirido por meio da leitura e do estudo da história que permite ao profissional não apenas informar, mas também formar cidadãos críticos e bem informados.