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A urgência da gestão profissional no voluntariado

Muitos falam da importância do trabalho voluntário. Poucos, de fato, dão a devida importância à sua gestão. Pode parecer uma afirmação dura — e talvez seja — mas é necessária. Não estou aqui para agradar, e sim para chamar atenção para uma causa essencial ao desenvolvimento da nossa sociedade: a profissionalização da gestão do voluntariado.

Na maioria das organizações da sociedade civil (OSCs), empresas, universidades e até governos, os programas de voluntariado são conduzidos por pessoas que acumulam outras funções. São profissionais bem-intencionados, mas que, muitas vezes, não têm formação ou foco específico na gestão de voluntários. Isso compromete o impacto e a sustentabilidade das ações.

É compreensível que nem toda organização tenha estrutura para manter um gestor exclusivo. Mas por que não contar com um consultor part-time, alguém com experiência e conhecimento, que possa estruturar e acompanhar o programa com excelência?

Uma gestão profissional permite que os voluntários sejam bem acolhidos, capacitados e direcionados para atividades em que realmente podem contribuir. Isso evita desperdícios, fortalece o engajamento e cria um ambiente positivo, onde todos se sentem valorizados.

No setor empresarial, o voluntariado corporativo bem gerido fortalece a cultura organizacional, melhora a imagem da marca e contribui para o desenvolvimento pessoal e profissional dos colaboradores. Quando alinhado à gestão de pessoas, o voluntariado pode inclusive apoiar o desenvolvimento de competências estratégicas, conectando causas sociais aos valores e objetivos da empresa.

Nas universidades, a gestão eficaz dos programas de voluntariado amplia a formação dos estudantes, promovendo o engajamento cívico e a responsabilidade social. Mais do que cumprir horas complementares, os jovens aprendem a importância do compromisso com o coletivo e desenvolvem habilidades que levarão para a vida.

Já os governos têm papel fundamental como articuladores e incentivadores. Políticas públicas que valorizem o voluntariado, ofereçam capacitação técnica às OSCs e promovam parcerias com empresas e universidades são essenciais para fortalecer o tecido social. Reconhecer e divulgar histórias de sucesso também é uma forma poderosa de inspirar mais pessoas a se engajarem.

E há um ponto que não pode ser ignorado: a comunicação. Uma gestão de voluntariado bem-sucedida precisa de uma comunicação clara, coerente e estratégica. É ela que conecta a causa à sociedade, que engaja, que presta contas, que inspira. Comunicar bem é parte da gestão — e não um detalhe.

Promover uma cultura de voluntariado é investir no desenvolvimento humano, na empatia, na solidariedade. Mas isso só se sustenta com planejamento, estrutura e profissionalismo. OSCs, empresas, universidades e governos têm papéis complementares nessa missão. E todos ganham quando o voluntariado é levado a sério.

Porque fazer o bem, bem-feito, exige mais do que boa vontade. Exige gestão.

Voluntários

Roberto Ravagnani
Roberto Ravagnani
Roberto Ravagnani é palestrante, jornalista, radialista e consultor. Voluntário como palhaço hospitalar há 17 anos, fundador da ONG Canto Cidadão, consultor associado para o voluntariado da GIA Consultores para América Latina e sócio da empresa de consultoria Comunidea.
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