No senso comum, há a noção de que a LEALDADE está ligada ao cumprimento de promessas, acordos e compromissos, sendo uma virtude que exige coragem, pois, às vezes implica em situações de risco.
A vida, no seu decorrer, por vezes, nos traz, de forma repentina, tempestades que ameaçam destruir o que levamos muito tempo para construir. No entanto, há algo que permanece de pé, quando as ilusões desmoronam, que resiste ao tempo e às circunstâncias: a lealdade. Ser leal não é marcar presença nos dias dourados e fáceis. Realmente, é permanecer na incerteza que ameaça, é segurar a mão do próximo, quando tudo à volta nos aconselha para soltar.
É importante tomar consciência que, nesses momentos, o mundo cruel, discriminatório e egoísta testa os laços que criamos! Quem impede que tudo se quebre, vire ruínas e miséria? A lealdade! Convém lembrar o que está na Bíblia (Provérbios 27:6) “Leais são as feridas feitas por amigos, mas os beijos dos inimigos são enganosos”.
Será que a lealdade tem um preço? Ela exige esforço, confiabilidade, sacrifício, abrir mão da própria razão em nome do que realmente importa. Valor esse que nos conclama a defender alguém mesmo quando é mais fácil e conveniente ficar calado.
O Filósofo Norte-Americano Josiah Royce (1855-1916) que defendeu o idealismo objetivo e o pragmatismo, na sua obra “A Ética da Lealdade” nos ensina que essa virtude se revela na nossa devoção voluntária, a alguém, ou a um propósito ou Instituição, mas que, antes de tudo, temos que ser leais a nós mesmos, num processo contínuo de auto-avaliação.
Para ele, ser leal é um elemento constitutivo do caráter, uma vez que essa virtude em questão não é algo que o ser humano possui, mas o que ele realmente é. Esse importante Filósofo nos alerta também que há um grande remédio para que a nossa lealdade não se torne destrutiva (como o fanatismo): “LEALDADE À LEALDADE”, ou seja: fidelidade às causas que provocam a lealdade no mundo, respeitando, acima de tudo, a dignidade humana, em vez de “lealdades” que possam dar origem ao mal.
E vai mais além: a lealdade é o coração de todas as virtudes que confere um verdadeiro sentido ao nosso viver. Dessa maneira, ela é uma escolha, requer integridade e sempre é aplicada a princípios morais e não apenas a pessoas.
Algo muito importante sobre esse tema tão instigante e tão necessário nos dias atuais, é refletir que existe tensão entre a lealdade as nossas crenças e valores essenciais, que residem conosco, como bem aponta a Psicologia.
Aqui, recordo o Filósofo Grego Aristóteles quando ressalta a virtude moral (inclusive a lealdade) que deve ser cultuada através da prática deliberada, de atos verdadeiramente alinhados com os nossos valores fundamentais para que seja exercida dentro dos limites da Ética e da Moral para que ela contribua realmente para o aperfeiçoamento moral, intelectual e social das organizações e dos povos indistintamente.
Entretanto, convém ressaltar: tudo isso exige tempo e dedicação, é um trabalho árduo, constante, demorado ante as tentações do mundo moderno. Esse trabalho deve ser dirigido sobretudo às gerações em formação, quando é nossa obrigação, sobretudo de pais e educadores, mostrar para elas as tentações do mundo moderno, onde tudo é “fast”, “facebookeado” e “instagramável” que fazem, certamente, perder o valor da essência de um viver produtivo e significativo.









