Será que você consegue desvendar o nome da filha do Visconde? Caso consiga, envie-o para o WhatsApp 12 98884 4952. A primeira pessoa que enviar a resposta correta ganhará um cordel.
Agora é madrugada e eu estou na calçada do museu de nossa cidade.
Exatamente às 3h33, ela aparecerá em seu vestido branco e molhado, com laço nos cabelos cacheados. Virá descalça, caminhando devagarinho, subindo a ladeira.
Ela tem a pele pálida e os olhos esbugalhados. Não deve ter mais de dez anos.
Contei a um amigo que a vi duas vezes, mas não tive coragem de me aproximar. Ele se lembrou da história que a avó contava:
“A filha travessa do visconde gostava de se esconder nos cômodos do palacete, para assustar as visitas. Apesar de sofrer castigos pelas peraltices, ela não desistia das brincadeiras.
Certa vez, mesmo depois de as visitas irem embora, ela não apareceu.
Preocupados, a mãe e o pai procuraram-na pelo palacete, mas não a encontraram.
Então, o visconde reuniu alguns escravos e ordenou que fossem atrás da menina. Aquele que a trouxesse em segurança, seria alforriado.
Às 3h33, o corpo foi encontrado boiando no rio. Com medo de serem responsabilizados e punidos pela tragédia, os escravos fugiram pela mata.
Anos depois, a menininha começou a aparecer na calçada, tentando abrir a porta do palacete; como não conseguia, pedia ajuda a quem estivesse por perto.
Como a tragédia aconteceu no século XIX, a única maneira de abrir a porta do passado era pronunciando o nome da filha do visconde…”.
Das vezes que a vi, fiquei apavorado e fugi. Mas hoje estou determinado.
Agora são 3h20, e já consigo vê-la subindo a ladeira. Meus cabelos e os pelos dos braços estão eriçados.
Ela está se aproximando. Ela já me viu. Está me oferecendo um sorriso minúsculo. Parou diante de mim.
— Sinto saudade da minha família. Poderias me ajudar a entrar no palacete, por favor? Basta que pronuncies o meu nome.
Caminhamos até a porta e, antes que eu dissesse que não sabia o nome dela, ela disse:
O meu nome principia
com muita água salgada;
em seguida, junte a ele,
quem varre a rua e a calçada.
Em dois pedaços iguais
parta um cubo numerado;
juntando a primeira parte,
meu nome será formado.
Demorei um pouco, mas consegui.
Assim que resolvi o enigma, a porta se abriu, a menina entrou e nunca mais apareceu.









