Andando certo dia pelo jardim do condomínio, onde existem várias orquídeas como Phalenopsis, Cattleya e Oncydium, deparei-me com uma diferente, que ainda não tinha visto por lá. Pequena, mas chamava atenção. Sua cor me atraiu; parecia brilhar, como se tivesse purpurina em suas pétalas.
Aproximei-me com cuidado, como quem chega diante de um segredo pronto para ser revelado. O jardim inteiro parecia em silêncio para que aquela delicada flor fosse notada. Ela emanava uma calma profunda, como se o mundo ao redor pudesse aguardar, aquietar e esperar.
Curiosamente, a orquídea branca não chama atenção como as flores exuberantes e coloridas. Ela convida ao silêncio, à contemplação. Fiquei ali, quieta, olhando e admirando sua beleza, pensando que algumas belezas são assim: não pedem aplausos, não se anunciam, apenas aparecem, inteiras, deslumbrantes no seu tempo.
Aquela orquídea branca tornou-se minha lição do dia — de paciência, de encantamento silencioso, de presença serena. Compreendi que o jardim guarda pequenas epifanias e que, às vezes, a calma, a serenidade e a pureza são mais marcantes do que qualquer espetáculo. Certas flores, como certos momentos, florescem apenas para quem sabe esperar.








